quinta-feira, 14 de janeiro de 2010





de Fernando Pessoa

(…)
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte –
Os beijos merecidos da Verdade.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Deus escreve direito

de Sophia de Mello Breyner Andresen


Deus escreve direito por linhas tortas
E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti e por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é teu sol tua luz teu alimento





sábado, 2 de janeiro de 2010

Concurso "Dar... à língua!" - Regulamento

“Dar…À Língua!” é um concurso organizado pela Biblioteca-CRE da ESAS, que se destina a todos os alunos da Escola e que tem como objectivo fomentar o bom uso da Língua Portuguesa.


REGULAMENTO:

1. INÍCIO: início do 2º Período;
FIM : final do ano lectivo;


2. MEIO DE DIFUSÃO : plasma da Biblioteca / cartazes nos locais de circulação;


3. CONSTITUIÇÃO: 2 perguntas por semana sobre Língua Portuguesa;


4. RESPOSTAS: semanais, devidamente identificadas, para ESASDARALINGUA@gmail.com;


5. SELECÇÂO DOS CONCORRENTES: será seleccionado o concorrente que, no final de cada período, tenha o maior número de respostas certas;


6. PRÉMIOS: a cada um dos concorrentes, referidos no número anterior, será atribuído um prémio.



NOTA: A partir da 2ª semana, com as duas perguntas semanais, serão divulgadas as respostas às perguntas da semana anterior.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

DAR… À LÍNGUA! - Perguntas Organizadas Semana a Semana

PROJECTO “DAR À LÍNGUA”: um projecto que tem como objectivo fomentar o bom uso da Língua Portuguesa.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Litania para o Natal de 1967


por David Mourão-Ferreira


Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos pedir contas do nosso tempo

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Metamorfose

por Jorge de Sena



Para a minha alma eu queria uma torre como esta,
assim alta,
assim de névoa acompanhando o rio.

Estou tão longe da margem que as pessoas passam
e as luzes se reflectem na água.

E, contudo, a margem não pertence ao rio
nem o rio está em mim como a torre estaria
se eu a soubesse ter…

uma luz desce o rio
gente passa e não sabe

que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem

as nuvens não passem
tão alta tão alta

que a solidão possa tornar-se humana.





quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Poema das coisas belas

por António Gedeão

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na alma dos homens, por que motivo serão belas?
E belas, para quê?
Põe-se o Sol porque o seu movimento é relativo. Derrama cores porque os meus olhos vêem. Mas por que será belo o pôr Sol?
E belo para quê?
Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas, mas só são coisas quando coisas percebidas, por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?
Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas sem precisarem de ser coisas percebidas, para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?