Há 15 anos
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
terça-feira, 25 de maio de 2010
A linguagem e o amor
O amor começa a manifestar-se muito cedo. Por muito estranho que pareça, começa logo no infantário. Nesta altura, é bastante simples: é caracterizado por uma linguagem verbal e corporal simples e por uma troca de olhares, seguida de um beijo na cara do rapaz pela rapariga, ao qual se segue a corrida de ambos para direcções contrárias a gritar – “Ai que nojo!”. Realmente muito simples.
A partir daí, começam as complicações. Na adolescência, o amor é como um programa do National Geographic. O macho usa uma acentuada linguagem corporal, pavoneia-se em frente da fêmea e espera a sua aceitação. Quando outro macho se aproxima, ficam ambos a combater, enquanto vociferam elogios em construções frásicas indecifráveis.
Uns anos depois, as relações ficam ainda mais interessantes. Salta-se de caso em caso e de noite em noite. Normalmente tudo começa em bares ou discotecas. O homem aproxima-se de uma mulher e corteja-a usando uma série de piadas foleiras e copos carregados de álcool. No dia seguinte, a ressaca acompanha-o sempre e a mulher, às vezes, também. No fim, isto acaba por ser muito parecido com o tipo de casos que se encontra em algumas tristes esquinas da baixa do Porto.
Quando se arranja uma namorada a sério, a linguagem amorosa envolve cartões amorosos, frases tão complicadas que raramente fazem sentido e inúmeras surpresas, sendo que, se tudo correr bem, a última é o anel de noivado! O dia mais feliz das nossas vidas!
Chegamos ao desejado casamento. Começam os indesejados desleixos e vai diminuindo a comunicação. O homem começa a esquecer-se dos aniversários e a mulher começa a fazê-lo dormir no sofá. Às vezes, contudo, qual milagres, também há surpresas, envolvendo uma linguagem extremamente carinhosa. Raramente, claro! Para, quando acontecer, nunca deixar de ser surpresa!
Quando se chega à terceira idade, a vida amorosa regride radicalmente e a única verbalização sobre o Amor resume-se ao comentário feito da varanda para os jovens que passeiam romanticamente: “Pouca vergonha! Vão mas é trabalhar!”
Realmente o amor é muito complicado! Mas por que será que ele continua a suscitar nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo amor?
João
10ºB de 2009/2010
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DAR... À LÍNGUA! - 16ª Semana - de 24 a 28 de Maio
1ª Pergunta – Deve dizer-se
A – O moral das tropas está elevado
ou
B – A moral das tropas está elevada?
2ª Pergunta – O que significa «Estar na berlinda»?
Respostas às perguntas da 15ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se «O assassínio ocorreu às três da tarde».
Assassínio entrou na língua portuguesa há mais tempo, sendo, portanto, desnecessária a palavra assassinato, que é uma cópia do francês assassinat.
A introdução de um estrangeirismo desnecessário empobrece a língua, porque põe de lado as palavras portuguesas.
2ª pergunta - «A dar com um pau» significa muito.
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terça-feira, 18 de maio de 2010
O Amor em Tempos de Crise
Será que a crise de que tanto se fala também chegou ao amor? Ou terá sido, apenas, a mudança dos tempos a causar uma mudança de vontades?
Na escola, os rapazes observam e comentam as raparigas, dirigindo-se-lhes com expressões que mal se percebem. As raparigas aperaltam-se e exibem-se de forma provocadora e abordam os rapazes sem a timidez de outros tempos.
Será que, no amor moderno, o coração já não suspira tão alto? E as palavras já não soam como doces punhais?
Na verdade, algumas apenas bajulam, não revelando as verdadeiras intenções. Algumas prometem as nuvens, o céu, uma estrela, mas, na realidade, nunca nos tiram da terra. Parecem solenes, mas rapidamente esmorecem. Outras, sendo espontâneas, não passam de palavras comuns e directas, adequadas ao interesse do momento.
Para alguns jovens o amor resume-se a uma saída e “bora! bora!”. Se a crise pode levar alguns a dispensar os jantares românticos em restaurantes chiques, será que ela também justifica que eles dispensem as palavras com ardor?
E os apedrejamentos apaixonados, que ameaçavam as janelas da amada? E as serenatas ao luar? E as cartas de amor? Tantas manifestações românticas! Lamechices… lamechices… rir-se-ão muitos.
Passada a fase das “garras da sedução”, as palavras parecem tornaram-se cada vez mais insensíveis e descuidadas, escassas e opacas.
Talvez não haja crise e o Amor tenha tomado, apenas, verbalmente, novas qualidades; todavia, para mim, ele continua a ser “fogo que arde sem se ver”, “dor que desatina sem doer” … será sempre “a cor que dá na vida”!
Na escola, os rapazes observam e comentam as raparigas, dirigindo-se-lhes com expressões que mal se percebem. As raparigas aperaltam-se e exibem-se de forma provocadora e abordam os rapazes sem a timidez de outros tempos.
Será que, no amor moderno, o coração já não suspira tão alto? E as palavras já não soam como doces punhais?
Na verdade, algumas apenas bajulam, não revelando as verdadeiras intenções. Algumas prometem as nuvens, o céu, uma estrela, mas, na realidade, nunca nos tiram da terra. Parecem solenes, mas rapidamente esmorecem. Outras, sendo espontâneas, não passam de palavras comuns e directas, adequadas ao interesse do momento.
Para alguns jovens o amor resume-se a uma saída e “bora! bora!”. Se a crise pode levar alguns a dispensar os jantares românticos em restaurantes chiques, será que ela também justifica que eles dispensem as palavras com ardor?
E os apedrejamentos apaixonados, que ameaçavam as janelas da amada? E as serenatas ao luar? E as cartas de amor? Tantas manifestações românticas! Lamechices… lamechices… rir-se-ão muitos.
Passada a fase das “garras da sedução”, as palavras parecem tornaram-se cada vez mais insensíveis e descuidadas, escassas e opacas.
Talvez não haja crise e o Amor tenha tomado, apenas, verbalmente, novas qualidades; todavia, para mim, ele continua a ser “fogo que arde sem se ver”, “dor que desatina sem doer” … será sempre “a cor que dá na vida”!
Joana Beleza
10º B de 2009/2010
10º B de 2009/2010
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
DAR... À LÍNGUA! - 15ª Semana – de 17 a 22 de Maio
1ª Pergunta – Deve dizer-se
A – O assassínio ocorreu às três da tarde
ou
B – O assassinato ocorreu às três da tarde?
2ª Pergunta – O que significa «A dar com um pau»?
Respostas às perguntas da 14ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se «Fiquei meio baralhada».
Neste caso, meio é um advérbio, portanto, invariável e atribui ao verbo a ideia de “um tanto; um pouco”:
Meia é um adjectivo, que significa “metade”, e é usado, por exemplo, em Comi meia laranja.
2ª pergunta - «Gato escondido com o rabo de fora» significa um disfarce incompleto, uma simulação que é visível aos olhos dos mais atentos, um fingimento que se descobre depressa, fazendo com que a intenção do mentiroso ou do ardiloso seja descoberta.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010
DAR... À LÍNGUA! - 14ª semana– de 10 a 14 de Maio
1ª Pergunta – Deve dizer-se
A – Fiquei meia-baralhada
ou
B – Fiquei meio-baralhada?
2ª Pergunta – O que significa «Gato escondido com o rabo de fora»?
Respostas às perguntas da 13ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se «sinto um mal-estar no estômago».
O advérbio mal (antónimo de bem) forma com o elemento seguinte, estar, uma unidade vocabular que significa “indisposição, inquietação”.
Mau (antónimo de bom) é um adjectivo e serve para classificar um nome: ele tem mau feitio.
2ª pergunta - «Andar a tinir» significa estar sem dinheiro.
A – Fiquei meia-baralhada
ou
B – Fiquei meio-baralhada?
2ª Pergunta – O que significa «Gato escondido com o rabo de fora»?
Respostas às perguntas da 13ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se «sinto um mal-estar no estômago».
O advérbio mal (antónimo de bem) forma com o elemento seguinte, estar, uma unidade vocabular que significa “indisposição, inquietação”.
Mau (antónimo de bom) é um adjectivo e serve para classificar um nome: ele tem mau feitio.
2ª pergunta - «Andar a tinir» significa estar sem dinheiro.
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DAR... À LÍNGUA! - 13ª SEMANA – de 3 a 7 de Maio
1ª Pergunta – Deve dizer-se
A – Sinto um mau-estar no estômago
ou
B – Sinto um mal-estar no estômago?
2ª Pergunta – O que significa «Andar a tinir»?
Respostas às perguntas da 12ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se Informou a imprensa de que ia abandonar o teatro.
Quando o verbo informar está seguido de dois complementos, um nominal e outro, oracional, este último é precedido pela preposição de.
Quando só tem um complemento, omite-se a preposição: Informou que iria abandonar o teatro.
2ª pergunta - «Ver o sol aos quadradinhos» significa estar preso.
A – Sinto um mau-estar no estômago
ou
B – Sinto um mal-estar no estômago?
2ª Pergunta – O que significa «Andar a tinir»?
Respostas às perguntas da 12ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se Informou a imprensa de que ia abandonar o teatro.
Quando o verbo informar está seguido de dois complementos, um nominal e outro, oracional, este último é precedido pela preposição de.
Quando só tem um complemento, omite-se a preposição: Informou que iria abandonar o teatro.
2ª pergunta - «Ver o sol aos quadradinhos» significa estar preso.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
DAR... À LÍNGUA! - 12º SEMANA – de 26 a 30 de Abril
1ª Pergunta – Deve dizer-se
A – Informou a imprensa que iria abandonar o teatro
ou
B – Informou a imprensa de que iria abandonar o teatro?
2ª Pergunta – O que significa «Ver o sol, aos quadradinhos»?
Respostas às perguntas da 11ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se A princípio correu mal, mas depois melhorou bastante.
A princípio significa “inicialmente, num primeiro momento”. Em principio é uma expressão que significa “de forma feral”, como, por exemplo: Em princípio, a solução é boa, falta aplicá-la.
2ª pergunta - «Andar pela hora da morte» significa ser muito caro.
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A Linguagem e o Amor
Tenho constatado que, hoje em dia, há cada vez menos troca de vocábulos plenos de sentido entre as pessoas que se amam. Refiro-me às palavras sopradas do coração.
Numa relação, parece ser mais fácil o toque, ou melhor dizendo, o contacto físico que a troca de palavras.
Os rapazes da actualidade preocupam-se mais com a morfologia de uma bela moça do que com a semântica das palavras amorosas. Quando nós, raparigas, começamos a tentar estabelecer um belo diálogo, frequentemente percebemos que a tentativa é infrutífera, visto que, quando insistimos na conversa, esta segue um rumo preguiçoso ou simplesmente deserto, um caminho desapaixonado, tumultuoso, como se tivesse pedras nos sapatos.
No amor – esse sentimento ardente, difícil de definir, mas não de sentir – torna-se importante a troca de palavras, que podem ser simples ou desconexas, mas nunca silenciadas. O Amor assenta na compreensão e, por isso mesmo, no diálogo.
De uma maneira geral, todas as palavras são como cristais, punhais ou castiçais que enfeitam as bocas áridas de paixão, sensação, emoção ou imaginação!
Por isso, ainda que aches que piropos há muitos e que as palavras as leva o vento, nunca te esqueças de dar voz ao teu amor.
Joana Costa
10ºB de 2009/2010
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Abril 2010
Mês do Livro
14 a 30 -
- Feira do livro (colaboração da LEYA)
19 -
- 15h 30 - Encontro de Leitores, sobre os livros da Colecção CHERUB, de Robert Muchamore
(Dinamizado pelo Conselho Consultivo do Básico da Biblioteca/CRE)
21 -
- 10h 15 às 12h, e 15h às 17h - Repuxar o couro, por Maria José Viegas
(Demonstração de técnicas e mostra de trabalhos)
30 -
- 19h - SARAU - Comemorativo do Dia Mundial da Dança, Dia Mundial do Livro, Dia Mundial da Poesia e alusivo ao Centenário da Implantação da República.
(Promovido pelo Clube da Dança, Grupo de História e Biblioteca/CRE.)
14 a 30 -
- Feira do livro (colaboração da LEYA)
19 -
- 15h 30 - Encontro de Leitores, sobre os livros da Colecção CHERUB, de Robert Muchamore
(Dinamizado pelo Conselho Consultivo do Básico da Biblioteca/CRE)
21 -
- 10h 15 às 12h, e 15h às 17h - Repuxar o couro, por Maria José Viegas
(Demonstração de técnicas e mostra de trabalhos)
30 -
- 19h - SARAU - Comemorativo do Dia Mundial da Dança, Dia Mundial do Livro, Dia Mundial da Poesia e alusivo ao Centenário da Implantação da República.
(Promovido pelo Clube da Dança, Grupo de História e Biblioteca/CRE.)
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Agenda Cultural
segunda-feira, 19 de abril de 2010
DAR... À LÍNGUA! - 11ª SEMANA – de 19 a 23 de Abril
1ª Pergunta–Deve dizer-se
A – A princípio correu mal, mas depois melhorou bastante
ou
B – Em princípio correu mal, mas depois melhorou bastante?
2ª Pergunta – O que significa «andar pela hora da morte»?
Respostas às perguntas da 10ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se «Esqueceu-se de que tinha um exame».
Com o verbo esquecer-se, usa-se a preposição de para iniciar o complemento seguinte: Esqueceu-se de alguma coisa.
2ª pergunta - «Voltar à vaca fria» significa voltar a um assunto já tratado.
A – A princípio correu mal, mas depois melhorou bastante
ou
B – Em princípio correu mal, mas depois melhorou bastante?
2ª Pergunta – O que significa «andar pela hora da morte»?
Respostas às perguntas da 10ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se «Esqueceu-se de que tinha um exame».
Com o verbo esquecer-se, usa-se a preposição de para iniciar o complemento seguinte: Esqueceu-se de alguma coisa.
2ª pergunta - «Voltar à vaca fria» significa voltar a um assunto já tratado.
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Dar... à língua
DAR... À LÍNGUA! - 10ª SEMANA - de 12 a 16 de Abril
1ª Pergunta – Deve dizer-se
A – Esqueceu-se de que tinha um exame
ou
B – Esqueceu-se que tinha um exame?
2ª Pergunta – O que significa “Voltar à vaca fria?”
Respostas às perguntas da 9ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se logótipo, acentuado na antepenúltima sílaba.
2ª pergunta - «Falar com sete (ou duas) pedras na mão» significa falar agressivamente ou de uma forma hostil.
A – Esqueceu-se de que tinha um exame
ou
B – Esqueceu-se que tinha um exame?
2ª Pergunta – O que significa “Voltar à vaca fria?”
Respostas às perguntas da 9ª semana:
1ª pergunta – Deve dizer-se logótipo, acentuado na antepenúltima sílaba.
2ª pergunta - «Falar com sete (ou duas) pedras na mão» significa falar agressivamente ou de uma forma hostil.
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Dar... à língua
quarta-feira, 14 de abril de 2010
UM POEMA
Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Miguel Torga
(sugerido por Fernando Batista. professor de Português)
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o vício da leitura
quinta-feira, 25 de março de 2010
O MEU PAI
Quando eu era criança o meu pai olhava com admiração sincera para todos os desenhos que eu fazia; quando lhe pedia a opinião, ele examinava cada frase rabiscada como se fosse uma obra-prima; ria-se às gargalhadas das piadas mais insípidas e de mau gosto. Sem a confiança que ele me deu, teria sido muito mais difícil tornar-me escritor (…)
Adorava quando ele me levava a ver filmes, e adorava ouvi-lo discutir os filmes que tínhamos visto com outros; adorava as piadas que ele fazia sobre a idiotice, o mal e a desumanidade, tal como adorava ouvi-lo falar acerca de uma nova variedade de fruto, uma cidade que visitara, as últimas notícias ou o livro mais recentes (…) Adorava quando ele me levava para um passeio, porque, juntos no carro, sentia, pelo menos por algum tempo, que não o iria perder. Quando ele conduzia, não podíamos olhar-nos nos olhos, e então ele falava-me como amigo, tocando nas questões mais delicadas.
Mas o que eu mais gostava era de estar perto dele, de lhe tocar e de estar a seu lado.(…)
Adorava quando ele me levava a ver filmes, e adorava ouvi-lo discutir os filmes que tínhamos visto com outros; adorava as piadas que ele fazia sobre a idiotice, o mal e a desumanidade, tal como adorava ouvi-lo falar acerca de uma nova variedade de fruto, uma cidade que visitara, as últimas notícias ou o livro mais recentes (…) Adorava quando ele me levava para um passeio, porque, juntos no carro, sentia, pelo menos por algum tempo, que não o iria perder. Quando ele conduzia, não podíamos olhar-nos nos olhos, e então ele falava-me como amigo, tocando nas questões mais delicadas.
Mas o que eu mais gostava era de estar perto dele, de lhe tocar e de estar a seu lado.(…)
Orhan Pamuk
(Prémio Nobel da Literatura 2006) – Outras Cores (p.26-27)
(sugerido por Luísa M. Saraiva, coordenadora da Biblioteca)
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Agenda Cultural - aconteceu...
quarta-feira, 24 de março de 2010
Senhor Tempo
Porto, 4 de Fevereiro de 2010
Querido Senhor Tempo:
Não sei se o que lhe vou pedir é possível, nem tão pouco se já recebeu algum pedido tão exuberante, mas presumo que não. Trata-se apenas do desejo de que seja permitido manipular o tempo.
Gostaria de voltar atrás e recolher, uma por uma, memórias e recordações de tempos antigos, mas felizes, pois tenho um medo terrível de as perder, de deixar de conhecer o que ontem me fez feliz. Apanhá-las-ia, com todo o cuidado, e depois colocá-las-ia em molduras ou grandes livros. Ou então, e ainda melhor, alguém as recolhia por mim, enquanto eu revivia tudo aquilo de que me orgulho e de que não há um único dia em que não sinta uma imensidão de saudade a rebentar dentro do meu peito.
Por outro lado, a perspectiva de poder acelerar um pouco o futuro, apenas dar-lhe uma espreitadela e logo voltar para o presente, confesso que também não me desagradava. Assim seria bastante mais fácil controlar a ansiedade e evitar o sofrimento por antecipação ou, pelo contrário, prepararmo-nos física e psicologicamente para o que se avizinhasse.
Compreendo se não obtiver resposta da sua parte, mas aqui fica, pelo menos, uma tentativa de satisfazer os meus desejos.
Obrigada,
Marta Huet
Não sei se o que lhe vou pedir é possível, nem tão pouco se já recebeu algum pedido tão exuberante, mas presumo que não. Trata-se apenas do desejo de que seja permitido manipular o tempo.
Gostaria de voltar atrás e recolher, uma por uma, memórias e recordações de tempos antigos, mas felizes, pois tenho um medo terrível de as perder, de deixar de conhecer o que ontem me fez feliz. Apanhá-las-ia, com todo o cuidado, e depois colocá-las-ia em molduras ou grandes livros. Ou então, e ainda melhor, alguém as recolhia por mim, enquanto eu revivia tudo aquilo de que me orgulho e de que não há um único dia em que não sinta uma imensidão de saudade a rebentar dentro do meu peito.
Por outro lado, a perspectiva de poder acelerar um pouco o futuro, apenas dar-lhe uma espreitadela e logo voltar para o presente, confesso que também não me desagradava. Assim seria bastante mais fácil controlar a ansiedade e evitar o sofrimento por antecipação ou, pelo contrário, prepararmo-nos física e psicologicamente para o que se avizinhasse.
Compreendo se não obtiver resposta da sua parte, mas aqui fica, pelo menos, uma tentativa de satisfazer os meus desejos.
Obrigada,
Marta Huet
Marta Huet
10ºI de 2009/2010
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CARTA DA AMIZADE
Exmos. Srs.
Amizade da Silva
Sentimentos (Amor, União, Bondade, …)
Coração das boas pessoas
Amizade da Silva
Sentimentos (Amor, União, Bondade, …)
Coração das boas pessoas
Coração das boas pessoas
Corpo Humano, 8 de Fevereiro de 2010
Corpo Humano, 8 de Fevereiro de 2010
Exmos. Srs.
Habitantes do coração:
Venho por este meio, em nome do governador, comunicar-lhes uma trágica notícia. Estamos a ser invadidos pela Solidão, Ódio e Guerra!
Para quem não tem qualquer conhecimento destes Sentimentos, vou passar a uma breve explicação, de modo a esclarecer-vos acerca da gravidade da situação. Ao que parece, eles são conhecidos por pertencerem a um “gang” de criminosos que estão a destruir o nosso País. Todos nós estamos em grande perigo, visto que eles estão espalhados em cada vez mais Corações e que estão, inclusivamente, a tentar eliminarem-nos deles.
Agora, mais do que nunca, devemos permanecer unidos e impedi-los de implantarem a obscuridade e infelicidade neste tão harmonioso Mundo. Tenham todos muito cuidado e atenção e nunca percam a força de lutar pela vossa sobrevivência! Juntos conseguiremos derrotá-los, porque o nosso poder prevalece sobre tudo e todos!
Peço, pois, a compreensão e colaboração de Vª. Exas., esperando que esta catástrofe se resolva rapidamente.
Com os meus melhores cumprimentos,
Amizade da Silva.
Habitantes do coração:
Venho por este meio, em nome do governador, comunicar-lhes uma trágica notícia. Estamos a ser invadidos pela Solidão, Ódio e Guerra!
Para quem não tem qualquer conhecimento destes Sentimentos, vou passar a uma breve explicação, de modo a esclarecer-vos acerca da gravidade da situação. Ao que parece, eles são conhecidos por pertencerem a um “gang” de criminosos que estão a destruir o nosso País. Todos nós estamos em grande perigo, visto que eles estão espalhados em cada vez mais Corações e que estão, inclusivamente, a tentar eliminarem-nos deles.
Agora, mais do que nunca, devemos permanecer unidos e impedi-los de implantarem a obscuridade e infelicidade neste tão harmonioso Mundo. Tenham todos muito cuidado e atenção e nunca percam a força de lutar pela vossa sobrevivência! Juntos conseguiremos derrotá-los, porque o nosso poder prevalece sobre tudo e todos!
Peço, pois, a compreensão e colaboração de Vª. Exas., esperando que esta catástrofe se resolva rapidamente.
Com os meus melhores cumprimentos,
Amizade da Silva.
Marta Leite
10ºI de 2009/2010
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Ruas repletas de nada
Vagueio pelas ruas enlouquecidas, num acto meio perdido. Sinto a frescura do vento a embater contra o meu rosto, gelando-o. Fecho os olhos, e sonho com o rumo que irei dar a esta vida de loucos. O meu olhar, eternamente perdido, um olhar vazio e só, contempla a rua, ela também perdida e vazia. Não havia ali qualquer alma, era apenas uma rua sem fim, encaixada numa cidade escura, numa cidade que teimava em não ter fim, como este meu sentimento que me acorrenta o coração, já perdido e enlouquecido pelo teu doce veneno, que é este interminável amor.
Catarina Gonçalves
11ºH de 2009/2010
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terça-feira, 23 de março de 2010
CARTA À MÚSICA
Portugal, 19 de Fevereiro de 2010
Querida música:
Escrevo-te para teres uma pequena ideia do que representas para todos nós.
Tu és muito mais do que uma amiga, és uma verdadeira companheira que nos acompanha ao longo da vida e nos segue para onde quer que vamos. E tal como um amigo, choras e ris dependendo das circunstâncias; ora és alegre e cheia de energia, ora és triste e calma. Mas mais do que tudo, estás sempre lá presente e pronta para oferecer a tua melodia.
O que sinto quando te ouço é inexplicável… Transmites-me uma descontracção enorme e libertas em mim uma vontade imensa de cantar e dançar contigo! Eu respiro o teu som, o teu ritmo, e a liberdade, o poder, a magia que tu me transmites são surreais… Fazes-me sentir especial e única e, se formos a pensar, nem mesmo as pessoas são tão perfeitas quanto tu. Por momentos, tens a capacidade de me fazer esquecer de todos os problemas e levas-me para outro mundo; tudo à minha volta se torna absorto. E quando passas, só quero que me pertenças, só te pretendo alcançar e jamais te soltar. Fazes parte de mim e quem não te quiser ouvir é porque não quer viver!
Agradecida,
Marta.
Escrevo-te para teres uma pequena ideia do que representas para todos nós.
Tu és muito mais do que uma amiga, és uma verdadeira companheira que nos acompanha ao longo da vida e nos segue para onde quer que vamos. E tal como um amigo, choras e ris dependendo das circunstâncias; ora és alegre e cheia de energia, ora és triste e calma. Mas mais do que tudo, estás sempre lá presente e pronta para oferecer a tua melodia.
O que sinto quando te ouço é inexplicável… Transmites-me uma descontracção enorme e libertas em mim uma vontade imensa de cantar e dançar contigo! Eu respiro o teu som, o teu ritmo, e a liberdade, o poder, a magia que tu me transmites são surreais… Fazes-me sentir especial e única e, se formos a pensar, nem mesmo as pessoas são tão perfeitas quanto tu. Por momentos, tens a capacidade de me fazer esquecer de todos os problemas e levas-me para outro mundo; tudo à minha volta se torna absorto. E quando passas, só quero que me pertenças, só te pretendo alcançar e jamais te soltar. Fazes parte de mim e quem não te quiser ouvir é porque não quer viver!
Agradecida,
Marta.
Marta Leite
10º I de 2009/2010
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CARTA À MINHA PESSOA DO PASSADO
Portugal, 17 de Janeiro de 2010
Querida Marta:
É impressionante como o tempo passa a voar… Para dizer a verdade, sinto tanto a tua falta! Como vai a vida aí em 1999? Segundo as minhas contas, deves estar neste preciso momento no Algarve. Bons velhos tempos…
Olha, eu vou confiar-te um segredo muito importante, mas tens de prometer que não contas a ninguém. Daqui a um ano vais ter uma irmãzinha, já imaginaste?! Vais finalmente ter alguém com quem brincar todos os dias! Digo-te isto porque, aqui em 2010, a nossa irmã já está bem crescidinha e, antes de mais nada, queria dar-te uns conselhos. Sabes, é que ela não é propriamente uma pessoa fácil de se lidar, tens de ter muita paciência e, acima de tudo, quando ela nascer, tens de a tratar como uma verdadeira mana mais velha. Talvez se corrigires alguns pequenos erros no passado, que eu já não posso emendar neste momento, ela mude de atitude perante a nossa pessoa.
Outra coisa, suponho que te estejas a divertir imenso aí no Algarve, eu bem me recordo do quanto adorava e imagino, também, que tenhas a companhia do teu primo Luís. Sabes Marta, o primo é outro problema com o qual vais ter dificuldades em lidar… Afinal, ele é também ligeiramente mais novo que tu. Eu sei que, por vezes, ele pode ser mau e bruto contigo. Sei também que tu apenas queres ser amiga dele e que ele te bate e tu ficas muito magoada quando isso acontece. Mas uma coisa te posso garantir e tenho a certeza que ficarás mais descansada: actualmente, tu e ele dão-se melhor do que até a relação que tu tens com a tua irmã. São praticamente como melhores amigos! Ele só se comportava daquele modo porque era ainda muito pequeno e estava a ultrapassar uma fase típica da idade dele. E, para além disso, não era só contigo que ele demonstrava agressividade, ele era assim com toda a gente. Mas como podes ver, ele é hoje um bom rapaz, totalmente diferente do que aí possa parecer.
Por agora não te vou revelar mais eventos futuros, terás de ser tu própria a descobrir com o tempo. O único conselho que te posso dar é o de te divertires e desfrutares ao máximo aí no Algarve, porque pode ser uma das melhores oportunidades que tão cedo não terás. Lembra-te que a infância é a melhor parte de uma vida inteira!
A tua amiga do futuro,
Marta.
PS: O teu vizinho e amigo Miguel, aí do Algarve, é bem giro, aproveita!
Querida Marta:
É impressionante como o tempo passa a voar… Para dizer a verdade, sinto tanto a tua falta! Como vai a vida aí em 1999? Segundo as minhas contas, deves estar neste preciso momento no Algarve. Bons velhos tempos…
Olha, eu vou confiar-te um segredo muito importante, mas tens de prometer que não contas a ninguém. Daqui a um ano vais ter uma irmãzinha, já imaginaste?! Vais finalmente ter alguém com quem brincar todos os dias! Digo-te isto porque, aqui em 2010, a nossa irmã já está bem crescidinha e, antes de mais nada, queria dar-te uns conselhos. Sabes, é que ela não é propriamente uma pessoa fácil de se lidar, tens de ter muita paciência e, acima de tudo, quando ela nascer, tens de a tratar como uma verdadeira mana mais velha. Talvez se corrigires alguns pequenos erros no passado, que eu já não posso emendar neste momento, ela mude de atitude perante a nossa pessoa.
Outra coisa, suponho que te estejas a divertir imenso aí no Algarve, eu bem me recordo do quanto adorava e imagino, também, que tenhas a companhia do teu primo Luís. Sabes Marta, o primo é outro problema com o qual vais ter dificuldades em lidar… Afinal, ele é também ligeiramente mais novo que tu. Eu sei que, por vezes, ele pode ser mau e bruto contigo. Sei também que tu apenas queres ser amiga dele e que ele te bate e tu ficas muito magoada quando isso acontece. Mas uma coisa te posso garantir e tenho a certeza que ficarás mais descansada: actualmente, tu e ele dão-se melhor do que até a relação que tu tens com a tua irmã. São praticamente como melhores amigos! Ele só se comportava daquele modo porque era ainda muito pequeno e estava a ultrapassar uma fase típica da idade dele. E, para além disso, não era só contigo que ele demonstrava agressividade, ele era assim com toda a gente. Mas como podes ver, ele é hoje um bom rapaz, totalmente diferente do que aí possa parecer.
Por agora não te vou revelar mais eventos futuros, terás de ser tu própria a descobrir com o tempo. O único conselho que te posso dar é o de te divertires e desfrutares ao máximo aí no Algarve, porque pode ser uma das melhores oportunidades que tão cedo não terás. Lembra-te que a infância é a melhor parte de uma vida inteira!
A tua amiga do futuro,
Marta.
PS: O teu vizinho e amigo Miguel, aí do Algarve, é bem giro, aproveita!
Marta Leite
10º I de 2009/2010
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espaço quase livre
Querido Tio Lolo,
Porto, 8 Janeiro 2010
Sinto tanto a tua falta! Sinto falta de todos os momentos que passámos juntos. Desde que te foste embora que não sou a mesma pessoa.
Às vezes, quando estou sozinha, quando não estou a fazer nada, ou até mesmo quando estou ocupada a ouvir música, a desenhar, uma imagem tua vem-me à cabeça. E choro.
Eras-me tanto! Eras como um pai para mim. Tudo aquilo que planeámos, todos os sonhos, o futuro que idealizámos, eu juro aqui que vou cumprir cada palavra saída da nossa boca, cada disparate, cada promessa, eu vou cumprir.
Tenho tantas saudades! Cada vez que me lembro quando íamos para Espanha e eu ficava ansiosa para que chegasse o momento de ir ter contigo.
Lembras-te quando me querias ensinar a conduzir? Eu lembro-me como se fosse ontem. Riamo-nos tanto. O papá cheio de medo que lhe estragássemos o carro!
Podem-me chamar chorona, sensível, não quero saber. Dava tudo para te ter aqui de volta. Estes anos sem ti foram difíceis. Ir a Espanha já nem é a mesma coisa. Sempre que vou lá, mil lágrimas caem sobre o meu rosto.
Como foste capaz de me deixar?
A cada silêncio, a cada momento de felicidade, a cada momento de tristeza… eu lembro-me de ti. Estás presente em cada segundo da minha vida. Posso estar com o maior sorriso do mundo, mas no fundo, estou triste, porque faltas cá tu para eu partilhar contigo essa tamanha felicidade.
Volta.
Com muita saudade,
a tua sobrinha,
Ângela Martinez
Ângela Martinez
10ºI de 2009/2010
10ºI de 2009/2010
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